Naturalmente perfeita, seus olhos gritam. Entusiasmo inusitado de ser. Vê? A prontidão da chama de viver. Docilmente ardente. Ingenuamente sábia. Sabe o que faz, sabe sim. Tateia como quem procura uma chave pedida no fundo de um bolso. Não sabe onde, mas sabe que é ali. Ligeiramente sexy, seus olhos viram. Em seguida, os fecha e ri. É observada. No fundo sabe disso. Brinca. Isso me enlouquece. Adora jogar os dados da sedução. Não tem medo do azar porque sempre teve sorte. Perfeitamente intrigante, sua boca pisca. Agita, sinistra. Naturalmente feita, mãos beijando vãos, deita, feito beleza, perfeita. Naturalmente desfeita, deleita.
Eu não sei o que ocorre. Nem o que percorre em minha mente. Mas minhas bochechas queimam. Só pensando na possibilidade. Eu não tenho certeza. Mas na dúvida... Minhas bochechas ardem. Um frio, concentradamente gelado eletriza-me subindo pelo meio-fio de meu estômago, agitando minhas células que se aquecem em questão de segundos. Tento respirar normalmente, mas percebo que prendo a respiração e sinto que minha face enrubesce. O sangue agora se concentra veemente em minha cabeça e não mais se espalha normalmente pelo meu corpo. Momentaneamente meus pés formigam... A sensação se espalha pelos meus dedos, imóveis sobre a mesa, que param imediatamente de exercer qualquer movimento voltado para outra atividade. Rimos alto. Essa foi minha única saída. Tento espiar com rabo de olho, mas meu desconcertante nervosismo me deixa quente. Queria entender o porquê desse efeito sobre mim. Sinto-me imediatamente tosca e preocupada. Deveria eu estar assim? Acho que não. Mas meu descont...
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